Estava em Recife, passei o fim da tarde na praia de Boa Viagem sem fazer nada, apenas divagando. O resultado foi o texto que segue, nem sei se concordo mais com ele, mas esta ai de qualquer forma, vale como lembrança de Boa Viagem.
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A Revolução dos Bichos (Animal Farm) é um dos títulos que já li faz um tempo e comentei por aqui. O livro retrata a revolução Russa como se ela tivesse acontecido em uma fazenda. Os animais, liderados pelos porcos assumem o poder que até então era do dono da fazenda e começam a ditar as regras em um sistema, supostamente, comunista e participativo. Ao longo do livro vemos várias interesses individuais sendo colocados acima dos interesses da comunidade, no fim os ideais da revolução foram afogados por esses interesses e a fazenda volta a mesma situação de poder, muitos sob julgo de poucos, semelhante ao seu estado inicial, ou talvez pior.
O autor usa os animais da fazenda para retratar os estereótipos humanos, os porcos são os líderes de fala mansa, que aceitam discutir qualquer ideia desde que no final façamos o que eles querem. As galinhas são como donas de casa alienadas, o bode só resmunga e os cães garantem a "paz" através com rosnados e mordidas. Desses animais/estereótipos, dois me chamaram muito a atenção, ambos trabalham pro sistema e executam muito bem as tarefas a estes designadas, um é a raposa o outro é o cavalo. As semelhanças param por ai.
As raposas trabalham para se dar bem. Na história eles são como os comunicadores do novo estado, a raposa é o canal de comunicação e propaganda do regime, ela não questiona o que deve fazer, ela simplesmente faz. Na minha visão a raposa são como as propagandas enganosas, os assessores de gabinete dos políticos, são aqueles que querem passar em concursos públicos para garantir o deles, são advogados criminalistas que defendem os réus que podem pagar mais. Essas pessoas não possuem nenhum apego pelo que fazem, elas simplesmente fazem o que for melhor e mais conveniente para elas. As raposas nunca estarão no topo, mas jamais ficaram por baixo, não pode se dizer que são plenamente mas, seria mais correto dizer que são estrategistas amorais, se todo mundo pode se dar bem, ok; se somente eu posso me dar bem, foi mal.
Na outra linha esta o cavalo. O cavalo trabalha no que for designado para ele fazer, mas o que ele faz, ele faz com o coração. O grande erro do cavalo na história é não questionar o novo poder estabelecido, ele acredita que assim como ele faz com dedicação a parte dele, sempre buscando o melhor, sempre tentando melhorar o que já foi feito, assim também trabalharam os novos líderes. Os cavalos são os artistas comprometidos com a estética, são os esportistas, são os músicos instrumentistas, são todas as pessoas com formação técnica que passam a vida a tenta fazer melhor aquilo que já fazem, são os que não se contentam como o bom, eles sempre querem o ótimo. No final o cavalo morre de tanto trabalhar, mas morre em paz, porque ele foi fiel aos seus ideais. Claro que temos que buscar o equilíbrio, e lembrar do erro do cavalo, mas e eu acho é que ele estava certo.